ERGONOMIA

     
  Introdução
  Ergonomia – Conceitos Gerais
  Evolução histórica da Ergonomia
  Conceitos de Ergonomia
  Principais Correntes
  Classificação em Ergonomia
  A Ergonomia no Trabalho - Tarefa e Actividade
  Prática Ergonómica
  Análise e Intervenção Ergonómica
  Domínios de Análise e Intervenção Ergonómica
  Postura e Força
  Manipulação e Transporte de Cargas
  Problemas por Movimentos Repetitivos
  Ergonomia e Novas Tecnologias
  Exemplos de Intervenções Ergonómicas
  Links
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Introdução

Os novos modos de produção, condicionados por sucessivas mutações (demográficas, económicas, tecnológicas, de organização social) vieram tornar cada vez mais interdependentes:

 

· as condições de execução do trabalho;

· e a condição do trabalhador.

Assim, a vocação da Ergonomia evoluiu e ao longo das últimas cinco décadas tem sido objecto de reflexão e de debate.

Até aos anos 70, a intervenção ergonómica centrava-se sobre o trabalho penoso, o trabalho nocivo, características da maioria das situações industriais.

A partir da década de 70, com a evolução tecnológica e, consequentemente, das condições de trabalho, tem-se vindo a observar uma profunda alteração das exigências do trabalho.

Este período (a partir dos anos 70), pode considerar-se marcado essencialmente por três tipos de evolução:

 

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O termo Ergonomia, deriva do grego,' "ERGON", que significa Trabalho e "NOMOS" que significa Leis ou Regras, atribuindo-se a sua denominação a MURREL, um Engenheiro inglês, no ano de 1949.

De facto, a Ergonomia procura optimizar as condições de trabalho, segundo critérios de eficiência, conforto e segurança.

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Evolução histórica da Ergonomia

 

A Ergonomia como disciplina, teve as suas origens na Segunda Guerra Mundial, mais propriamente em 1949, quando falharam as formas tradicionais de resolução do conflito entre homens e máquinas - a selecção e o treino.

Foi nessa época, que se evidenciam as incompatibilidades entre o progresso humano e o progresso técnico. Os equipamentos militares exigiam dos operadores, decisões rápidas e execução de actividades novas (aviões mais velozes, radares e submarinos) em condições críticas, o que implicava complexidade e riscos de decisão.

A guerra solicitou e produziu máquinas novas e complexas, inovações essas, que não corresponderam ao que delas se desejava porque, na sua concepção, não foram tomadas em consideração, as características e as capacidades humanas.

Surgiu, então, a necessidade do aparecimento de uma nova ciência, a Ergonomia.

 

Tal como nos diz Chapanis, na sua importante lição sobre Engenharia, "as máquinas não lutam sozinhas".

Por exemplo, o radar foi chamado "o olho da armada"; mas o radar não vê. Por mais rápido e preciso que seja, será quase inútil, se o operador não puder interpretar as informações apresentadas no écran e decidir a tempo. Similarmente um avião de caça, por mais veloz e eficaz que seja, será um fracasso se o piloto não puder pilotá-lo com rapidez, segurança e eficiência. Cabe ao ser humano avaliar a informação, decidir e agir.

Foi, pois, nos meios militares britânicos, que a Ergonomia teve o seu grande incremento, com a criação de um grupo de estudos sobre a capacidade produtiva dos trabalhadores nas fábricas de munições (Health of Munitions Workers Committee).

Vivia-se um momento dúbio: por um lado, existia uma grande necessidade de aumentar a produção de armas e de munições; por outro, existia uma escassa mão-de-obra, pelo facto da maior parte do operariado se encontrar na guerra.

A partir do início da década de 50, com a criação, em Inglaterra, da Ergonomics Research Society, a Ergonomia começou a sua expansão no mundo industrializado, desenvolvendo-se, assim, o interesse pelos problemas inerentes ao trabalho humano.

Entre 1960 e 1980 assistiu-se a um rápido crescimento e expansão da Ergonomia para além das fronteiras militares, pois o meio industrial tomou consciência da importância da Ergonomia na concepção dos produtos e dos sistemas de trabalho (equipamentos, ferramentas, ambiente físico, ambiente químico, organização do trabalho, etc.).

Mais tarde, a Ergonomia foi aplicada com o objectivo de optimizar o trabalho humano.

Os primeiros estudos centraram-se no aperfeiçoamento das máquinas, às quais os trabalhadores se tinham de adaptar, algumas vezes à custa de uma longa e difícil aprendizagem.

No entanto, com o aumento da complexidade e dos custos das máquinas, e simultaneamente, com a imposição do valor da vida humana, surgiu a preocupação de:

 

 

Nesta evolução, alguns países europeus fundaram a Associação Internacional de Ergonomia, para congregar as várias Sociedades de Factores Humanos e de Ergonomia que foram surgindo.

A Ergonomia continuou a crescer a partir dos anos 80, particularmente, devido às novas tecnologias informatizadas.

A tecnologia informatizada propiciou novos desafios à Ergonomia. Os novos dispositivos de controlo, a apresentação de informação por écran e, sobretudo, o impacto da nova tecnologia sobre o homem, constituem áreas de análise e de intervenção para o ergonomista, sobre as quais iremos falar nas próximas aulas.

O papel do profissional de Ergonomia nas indústrias nucleares e de controlo de processos, cresceu após os acidentes de Three Mile Island, nos Estados Unidos, e de Bhopal, na Índia.

Em Portugal, por esta altura, a Ergonomia é ainda praticamente inexistente. No entanto, as necessidades sociais criadas com a integração europeia e o cumprimento das normas comunitárias relativamente à regulamentação do trabalho e das suas condições ambientais, provocou uma certa inquietação para o desenvolvimento da formação nesta área.

 

Basta recordar o 1º parágrafo do Decreto-Lei nº 441/91: "A realização pessoal e profissional encontra na qualidade de vida do trabalho, particularmente a que é favorecida pelas condições de segurança, higiene e saúde, uma matriz fundamental para o seu desenvolvimento", para se perceber que, sem a implementação de uma prática ergonómica, esta qualidade de vida no trabalho, dificilmente será alcançada.

Numa perspectiva histórica, consideram-se três pontos fundamentais na evolução da Ergonomia:

  • Um primeiro, em que o estudo se centrava sobre a máquina, à qual o trabalhador se tinha de adaptar. Procurava-se seleccionar e formar o operador de acordo com as exigências e características das máquinas, ainda que por vezes, à custa de uma longa e difícil aprendizagem.

    · Um segundo, em que, face aos problemas levantados pelos erros humanos, o estudo começou a centrar-se no Homem. Procurava-se uma modificação das máquinas, tendo em consideração os limites próprios do Homem.

  •  

     

    Em Portugal, a Ergonomia surgiu no ano de 1987, com a introdução de um curso no Instituto Superior de Educação Física (ISEF), a actual Faculdade de Motricidade Humana.

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    Conceitos de Ergonomia

    Muitos são os conceitos de Ergonomia já publicados. Passando em revista várias definições, é possível admitir que a Ergonomia engloba um conjunto de actividades que tendem a adaptar o trabalho ao Homem, consistindo essa adaptação, numa optimização do Sistema Homem - Trabalho.

     

    Eis uma pequena revisão da literatura:

     

     

    Para terminar, são referidos, ainda, os conceitos ditados por duas grandes organizações de renome internacional:

    ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE: "A Ergonomia é uma ciência que visa o máximo rendimento, reduzindo os riscos do erro humano ao mínimo, ao mesmo tempo que trata de diminuir, dentro do possível, os perigos para o trabalhador. Estas funções são realizadas com a ajuda de métodos científicos e tendo em conta, simultaneamente, as possibilidades e as limitações humanas devido à anatomia, fisiologia e psicologia".

    ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DE TRABALHO: "A Ergonomia consiste na aplicação das ciências biológicas do Homem em conjunto com as ciências de engenharia, para alcançar a adaptação do homem com o seu trabalho medindo-se os seus efeitos em torno da eficiência e do bem estar para o Homem".

     

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    Principais Correntes

    Os debates e as reflexões a que se tem vindo a assistir nos últimos 20-30 anos, conduziram à preocupação da complementaridade dos fundamentos das duas principais correntes em Ergonomia.

    Na opinião de Montmolin, a primeira corrente, a mais antiga, a Anglo-Saxónica considera a Ergonomia como a utilização de algumas ciências para melhorar as condições de trabalho humano.

    A título de exemplo, a Anatomia e a Fisiologia permitem conceber assentos, écrans e horários mais adaptados ao organismo humano e a Psicologia permite, por exemplo, uma melhor apresentação das informações.

    Esta corrente orienta a Ergonomia para a concepção de dispositivos técnicos (máquinas, utensílios, postos de trabalho, ecrãs, impressoras, programas, etc.)

    A segunda corrente, a mais recente, a Europeia, considera a Ergonomia como o estudo específico do trabalho humano com vista a melhorá-lo.

    Sem querer pretender constituir uma "Ciência do Trabalho", completamente autónoma, a Ergonomia reivindica, no entanto, a autonomia dos seus métodos.

    Nesta perspectiva, a Ergonomia preocupar-se-á menos com o assento ou com o ecrã isolado do que com o conjunto da situação de trabalho e do trabalhador em questão.

    Nesta perspectiva, a sua fadiga e os seus erros só podem ser realmente explicados e minorados se a sua tarefa particular e a forma como ela é realizada (a sua actividade) forem analisadas pormenorizadamente nos seus locais específicos.

    Ergonomia está pois, nesta corrente orientada essencialmente para a organização do trabalho, levantando questões como, por exemplo:

    Quem faz? O que faz? Como faz? Como poderia fazer? Etc.

     

    Em síntese, podemos dizer que a corrente Americana centra-se sobre o factor humano, considerando o Homem como uma componente do sistema de trabalho e que a corrente Europeia centra-se sobre a actividade humana, considerando o Homem como um actor do sistema de trabalho.

     

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    Classificação em Ergonomia

    Numa empresa ou organização, em que a competitividade e a força do mercado onde esta opera, são parâmetros fundamentais de Gestão, a Ergonomia é uma das as áreas de formação passíveis de lhe acrescentar valor.

    Assim, modalidades de intervenção ergonómica serão diferentes, em termos de objecto, objectivo, contexto e dimensão da intervenção.

    É Objecto

    No que respeita ao objecto de intervenção, podemos distinguir:

     

    A Ergonomia da Produção está vocacionada para a procura das condições de trabalho adequadas, em termos organizacionais, de posto e ambiente de trabalho, adaptados às características e capacidades dos trabalhadores.

    A Ergonomia do Produto, centra-se na área de estudos e pesquisas, colaborando com o sector comercial, em estudos de mercado; com o sector de produção, na avaliação dos custos da produção e na definição da sua finalidade; e com outros sectores da concepção do produto, desde o "design" ao controlo da qualidade.

     

    É Objectivo

    Quanto ao objectivo, fala-se em:

     

    A Ergonomia de Concepção permite agir desde a fase inicial, sobre um produto ou posto de trabalho, criando condições de trabalho adaptadas e perspectivadas no sentido da eficácia, da segurança e do conforto.

    A Ergonomia de Correcção dá resposta às inadaptações, que se traduzem por problemas na segurança e no conforto dos trabalhadores, ou na qualidade e quantidade da produção.

     

    É Contexto

    Seja qual for o objecto ou o objectivo, a intervenção ergonómica desenvolve-se nos mais variados contextos, tais como: industrias, hospitais, escolas, transportes, construção e obras públicas, etc.

     

     

    É  Dimensão

    Numa perspectiva de dimensão da intervenção, podemos classificar a Ergonomia em Macro, Meso e Micro:

       

     

    Deste modo, a Ergonomia tem uma acção concreta sobre melhoria das condições de trabalho em geral, promovendo a saúde do trabalhador. Contribuindo para a diminuição de absentismos por acidentes de trabalho e doenças profissionais, a Ergonomia procura manter e/ou aumentar a qualidade e, consequentemente, a produtividade.

     

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    A Ergonomia no Trabalho

    A Ergonomia é uma disciplina que fundamenta a sua acção numa perspectiva científica do trabalho humano. Pelos seus métodos, a Ergonomia permite uma outra inteligibilidade do funcionamento dos sistemas produtivos, a partir da compreensão de toda a actividade de trabalho do homem. Para tal, torna-se imperioso o conhecimento do funcionamento humano, nos diversos planos.

     

    1.  
    2. Tarefa e Actividade

    Numa situação de trabalho, há que distinguir o conceito de tarefa e de actividade.

    A tarefa ou trabalho prescrito abrange tudo o que, na organização, define o trabalho de cada operador, ou seja:

    Quer a empresa seja de grande ou de pequena dimensão, existe sempre uma parte implícita, um trabalho esperado, do qual os responsáveis e os trabalhadores têm a sua própria representação.

    Sendo a tarefa uma prescrição, um quadro formal, é o trabalho real dos trabalhadores ou actividade, que permite a produção.

    De uma maneira mais simplificada diz-se que, a actividade se refere às condutas e comportamentos dos trabalhadores, na execução de uma determinada tarefa.

    Em todos os planos definidos pela organização do trabalho, manifestam-se diferenças entre o prescrito e o real, pois o trabalho real dos trabalhadores nunca é o puro reflexo da tarefa, nem uma mera execução.

     

    A distinção entre tarefa e actividade é importante, na medida em que:

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    Prática Ergonómica

    Considerando:

     

    · que em Ergonomia o homem que trabalha não é um simples executante, mas um operador, na medida em que gere as suas dificuldades, aprende, actuando, adapta o seu comportamento às variações do seu estado interno e dos elementos da situação de trabalho, decide quais as melhores maneiras de proceder, adquire habilidades específicas para melhorar a eficácia, enfim, opera.

    · que a actividade real de trabalho desenvolvida pelo operador difere sempre da tarefa prescrita pela organização do trabalho, pois não é uma simples resposta a um estímulo, mas a expressão de um saber e de uma vivência profissional, que é o resultado de uma história individual e colectiva e se inscreve num determinado contexto sócio-económico.

     

  • que a transformação de uma situação de trabalho não pode consistir numa aplicação directa dos conhecimentos científicos gerais relativos ao homem, sem que antes sejam confrontados com a especificidade de cada situação.
  • Distinguimos na prática da Ergonomia duas fases: uma primeira, chamada de ANÁLISE ERGONÕMICA e, a segunda, denominada de INTERVENÇAO ERGONÓMICA, entendendo-se que:

    1. Análise Ergonómica consiste na identificação e compreensão das relações existentes entre as condições organizacionais técnicas, sociais e humanas que determinam a actividade de trabalho e os efeitos desta sobre o operador e o sistema produtivo.
    2. Intervenção Ergonómica consiste na operacionaIização de planos de acção resultantes da análise ergonómica. Pode situar-se a diferentes domínios de actuação: concepção e/ou reformulação, formação profissional, higiene, segurança e saúde ocupacional.

     

     

    Deve-se pois:

    1. COMPREENDER O TRABALHO, entendido como expressão da actividade humana, ou seja, como algo que põe em jogo capacidades físicas, psicológicas, de competência, de experiência,…
    2.  TRANSFORMAR O TRABALHO a partir da concepção de um projecto centrado sobre o Homem no Trabalho, com vista a proporcionar-lhe conforto, segurança e bem estar mas, ao mesmo tempo, favorecer a eficácia e a produtividade.

     

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    Análise e Intervenção Ergonómica

    Importa, pois, começar por entender o que é Análise do Trabalho.

    Definir Análise do Trabalho não é tarefa fácil. Uma reflexão sobre à análise do trabalho não deve fazer-se sem uma atenção especial sobre o entendimento do objecto desta análise - o trabalho.

    O conceito de trabalho assume pontos de vista diferentes, dentro e fora da empresa.

    O economista falará do resultado do trabalho em termos do valor produzido. O sociólogo verá no trabalho, as normas e os valores sociais e concentrar-se-á nas relações entre os operadores. O representante sindical, reportar-se-á a "uma situação vivida", global, donde emergem as necessidades dos trabalhadores.

    Apercebemo-nos, assim, que o termo "trabalho" designa, quer o resultado de uma acção, quer as condições de realização, quer ainda, a função ou a actividade do operador que a realiza e neste sentido, admite-se que existam traços típicos de análise do trabalho, bem como, modalidades várias.

    Sendo objectivo da Ergonomia, conceber situações de trabalho adaptadas às características dos operadores, ao trabalho que lhe é confiado e às condições em que o trabalho é realizado, a análise ergonómica do trabalho tem como objecto, o estudo das exigências e das condições de trabalho, das atitudes e das sequências operatórias que emergem aquando da realização de uma determinada tarefa.

    A título de exemplo, a análise psicológica visa, essencialmente, analisar os mecanismos da actividade (preceptivos, sensório-motores e cognitivos) presentes na situação de trabalho, enquanto a análise ergonómica visa analisar a situação de trabalho no sentido de a transformar, sendo a Psicologia uma das suas dimensões mas não, necessariamente, a principal.

    A análise ergonómica ao procurar dar resposta a questões fundamentais, como "qual o trabalho a executar?", "como é que o operador executa o trabalho?", afasta-se da análise tradicional do trabalho, dado que esta se limita a enumerar o que o operador deveria fazer e não o que o operador faz, isto é, considera apenas o trabalho prescrito e não o trabalho real, podendo esta diferença ser essencial para a transformação de uma determinada situação de trabalho.

    A análise ergonómica reside, então, numa análise realista do trabalho, efectuada momento a momento sobre o terreno, partindo das exigências do trabalho, sendo esta, a única forma de melhorar as verdadeiras causas de desadaptação, nomeadamente, da carga de trabalho suportada pelo indivíduo.

    Este tipo de análise distingue-se das que só consideram os dados relativos ao trabalho prescrito e dos que contemplam apenas as declarações dos agentes do trabalho.

    Uma análise ergonómica do trabalho não poderá, de modo algum restringir-se a estes dados, mas integrá-los numa análise mais ampla da actividade.

    É neste sentido que falamos em Análise do Trabalho, como Método de Análise Ergonómica do Trabalho formalizado em 1955 por Ombredane e Faverge.

    Actualmente, diz-se que a Análise do Trabalho caracteriza a Ergonomia, porque constitui uma etapa indispensável para todo o estudo ergonómico e toda a intervenção ergonómica.

    Segundo alguns autores, a Análise do Trabalho confronta uma dupla perspectiva, a do "quê" e a do "como". Refere ainda que, considerando a evolução da organização do trabalho importa ainda saber, "quem faz?" e "quem faz o quê?".

    Diz-nos que a Análise do Trabalho se fixa sobre duas abordagens complementares a da Tarefa e a da Actividade.

    TAREFA indica o que é para fazer; evoca a ideia de obrigação: "um objectivo a alcançar em condições determinadas"; é o trabalho prescrito.

    ACTIVIDADE indica o que realmente é feito por um operador para executar uma tarefa precisa num dado momento. A actividade reporta-se portanto às condutas, aos processos operatórios do indivíduo, ou seja ao trabalho real.

    Entre uma e outra há, invariavelmente diferenças, por vezes profundas e que são reveladas pela análise da actividade. Mas porque a primeira condiciona a segunda, a análise da diferença torna-se extremamente importante.

    Neste sentido, que esta análise permite:

    Podemos sintetizar dizendo que a Análise do Trabalho comporta sempre, em paralelo:

    Neste sentido a actividade de trabalho constitui o elemento central organizador e estruturante das duas componentes implicadas na situação de trabalho:

  • · por um lado, os operadores, com as suas características próprias, no momento em que realizam a actividade ou seja, a idade, o sexo, o seu estado de saúde do ponto de vista físico e psíquico, a formação, experiência, competência, etc.
  • · por outro, a empresa, que define:

     

    - o espaço de trabalho: dimensões do posto de trabalho, áreas de deslocamento.

    - as características dos meios materiais de trabalho: dimensões, manuseamento das ferramentas, das máquinas, dos comandos, modalidade de apresentação das informações.

    - as características dos objectos de trabalho: documentos, peças a montar, a transformar.

    - os ambientes físicos: iluminação, ruído, vibrações, calor ou frio, poeiras.

    - imposições temporais: horários e duração do trabalho, rendimento.

    - a organização do trabalho: repartição das tarefas, ordens operatórias.

    - os sinais a respeitar para assegurar a segurança, a qualidade e a quantidade de produção.

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    Domínios de Análise e Intervenção Ergonómica

    Neste capítulo pretende-se revelar um pouco de como e onde o Ergonomista tem a sua acção, consistindo esta acção ergonómica em colocar à disposição dos orgãos de gestão uma informação precisa e operacional sobre a realidade de trabalho para que, desta forma, todas as decisões organizacionais, técnicas, sociais e humanas visem alcançar eficiente e eficazmente os objectivos definidos.

    Como principais domínios da análise ergonómica referiremos:
    1. Actividade de Trabalho
    2. Efeitos sobre o Operador e o Sistema Sócio-Técnico

    Actividade de Trabalho

    Com base nestes dados, os domínios da análise ergonómica são centrados na actividade de trabalho humano, permitindo identificar, descrever e quantificar os comportamentos observáveis, nomeadamente:

    Desta forma, a Análise Ergonómica da actividade identifica as funções sensoriais, motoras e cognitivas subjacentes aos comportamentos observáveis.

    1.  
    2. - Efeitos sobre o Operador e o Sistema Sócio-Técnico

    Para além de uma análise centrada no estudo e compreensão da Actividade de Trabalho, é igualmente oportuna uma análise sobre os Efeitos desta Actividade no Homem e no Sistema Socio-técnico que o envolve.

    Nesta análise, os dados técnicos a recolher referem-se a:

    Ao operador
     

    Aos elementos técnicos

    Ao sistema sócio-técnico

    Concretamente sobre o Operador, é necessária a recolha de dados relativos a:

    No que se refere à recolha de elementos relativos ao Sistema Socio-Técnico, é importante conhecer:

    Tendo por base a recolha e análise ergonómica de todos os elementos anteriormente referenciados, estamos em posição de avançar para uma "transformação do trabalho", isto é, a chamada Intervenção Ergonómica.

    A Intervenção Ergonómica consiste na operacionaIização de planos de acção resultantes da Análise Ergonómica, podendo situar-se nos seguintes domínios de actuação: concepção e/ou reformulação, formação profissional, higiene, segurança e saúde ocupacional.

    Como principais domínios da Intervenção Ergonómica referiremos:
    1. Concepção e Reformulação
    2. Formação Profissional
    3. Higiene, Segurança e Saúde Ocupacional
    1.Concepção ou Reformulação

    Um dos domínios em que se poderá centrar a Intervenção Ergonómica é na Concepção ou Reformulação de situações de trabalho, como seja:

     

    2.Formação Profissional

    Outro nível de Intervenção Ergonómica, e não menos importante, é a Formação Profissional.

    Neste domínio, a Intervenção Ergonómica visa desenvolver, implementar e avaliar programas de formação centrados:

    Ainda neste domínio, promove acções de formação visando a sensibilidade para a Análise e Intervenção Ergonómicas.

     

    3.Higiene, Segurança e Saúde Ocupacional

    Tendo por base toda a avaliação realizada, quer sobre as variáveis que influenciam a situação de trabalho e do correspondente impacto na Saúde e Bem-Estar do trabalhador, quer sobre a própria Actividade de Trabalho, no domínio da Higiene, Segurança e Saúde Ocupacional, a Intervenção Ergonómica visa:

     

     

     

    Postura e Força

    Quando é exigido algum esforço, na realização de uma tarefa, o trabalhador tende a adoptar uma determinada postura, que pode não ser a mais adequada.

    Em trabalho ou em repouso, o corpo pode assumir três posturas básicas:

    Interessa-nos, pois, as posturas geralmente adoptadas em situação de trabalho.

    Definimos postura como sendo a posição e orientação dos segmentos corporais no espaço.

    A postura está, então, dependente da força, sendo esta, o resultado de um conjunto de contracções musculares que se realizam, no sentido de executar uma acção.

    Um trabalho que obriga uma pessoa a assumir a postura de pé durante todo o dia, exige grandes esforços, principalmente das pernas, que incham.

    Os trabalhos que requerem uma grande força muscular, mobilidade e um grande alcance, devem muitas vezes, ser executados de pé.

     

     

    De seguida, são indicados alguns procedimentos a considerar, quando se trabalha de pé:

     

    Os trabalhos que não requerem grandes esforços musculares e que se podem executar dentro de uma área limitada, devem ser feito na postura de sentado. A área de trabalho deve estar ao alcance, sem haver necessidade de fazer esforços excessivos.

    Para trabalhar sentado numa posição correcta, deve haver possibilidade de estar sentado direito, em frente e perto do local em que se realiza o trabalho. A mesa e a cadeira de trabalho, devem ser desenhadas, de modo que a superfície sobre a qual se trabalha, fique ao nível dos cotovelos, quando a pessoa está sentada, com o tronco direito e ombros descontraídos.

    Quando se faz um trabalho de precisão, deve haver um apoio ajustável para os cotovelos, antebraços ou mãos.

     

     

    Os princípios fundamentais da postura de sentado, são:

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    Manipulação e Transporte de Cargas

     

    No dia-a-dia, são vulgares as situações de transporte e/ou levantamento de cargas, seja em contexto industrial, de comércio, de serviços ou mesmo no domicílio.

    As situações de manipulação e transporte de cargas podem trazer consequências graves na saúde e segurança dos indivíduos, se os mesmos não tiverem cuidados especiais quando estão a manipular e/ou transportar cargas. Aliás, esta tem sido uma das mais frequentes causas de acidentes e de doenças profissionais. Daí que, é um problema que merece grande atenção.

    É do conhecimento geral que o levantamento e o transporte manual de cargas devem ser evitados e realizados por equipamentos mecânicos. Se isso não for possível, várias pessoas devem trabalhar em conjunto, sendo importante que todas elas utilizem os métodos correctos de levantamento.

    A penosidade das tarefas de manipulação de cargas está dependente de vários factores, como:

    Relativamente à manipulação de cargas, as situações de trabalho podem ser classificadas em dois tipos:

    Manipulação Esporádica, quando está relacionado com a capacidade muscular dos indivíduos para manipular e levantar as cargas.

    Manipulação Repetitiva, relacionada com três factores:

     

    Qualquer que seja o tipo de manipulação, o levantamento correcto de cargas de obedecer ao seguinte:

     

    Um outro aspecto importante a considerar, é o transporte de uma carga de um local para outro:

     

     

     

    Quando a carga a transportar é volumosa ou pesada, deverão ser solicitados os dois membros superiores, dando-se atenção aos seguintes aspectos:

     

    No caso de se tratar de transportar uma carga tipo fardo, então deve-se:

    Existem outras formas de transporte, como o puxar e o empurrar. As consequências ao nível da coluna vertebral, serão diferenciadas para cada uma destas situações:

     

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    Problemas por Movimentos Repetitivos

    Actualmente, existem formas de organização do trabalho, particularmente, na indústria, que determinam a execução de tarefas repetitivas e de elevadas exigências de precisão.

    Este tipo de tarefas impõe, por um lado, a realização de gestos, que, analisados isoladamente, não representam um esforço importante, mas a sua repetitividade ao longo do período de trabalho, confere-lhe uma carga elevada.

    A repetitividade é, aliás, uma característica do trabalho em cadeia.

    O trabalho em cadeia, constitui uma forma de organização do trabalho, na qual a produção é repartida por um conjunto de postos, cada um ocupado por um operador. As correspondentes tarefas são distribuídas em função da sua duração, que é determinada a partir da decomposição do conjunto de gestos inerentes às diferentes operações.

    As consequências deste tipo de tarefas, estão bem patentes na frequência de perturbações músculo-esqueléticas, ao nível do canal cárpico.

    Estas perturbações resultam, geralmente, de um desequilíbrio entre as solicitações biomecânicas e as capacidades individuais, existindo um nível próprio de cada indivíduo.

    Existem, no entanto, diversos factores que podem influenciar o risco de desenvolver estas patologias, numa relação directa com a duração da exposição e o número de factores acumulados. Estes factores podem intervir directa ou indirectamente no desenvolvimento das perturbações músculo-esqueléticas.

    São factores directos:

    Os factores indirectos no desenvolvimento das perturbações músculo-esqueléticas, são:

    A identificação destes factores de risco e, em particular, das suas causas, é essencial à sua eliminação, sem a qual não poderá ser equacionada qualquer solução para transformação do trabalho.

     

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    Ergonomia e Novas Tecnologias

     

    A introdução das Novas Tecnologias Informatizadas (NTI) nas unidades produtivas, permite:

    Estes são exemplos habituais do que as Novas Tecnologias Informatizadas proporcionam no mundo do trabalho actual. Por tudo isto, as diversas modalidades de automatização disponíveis na micro-informática, constituem hoje, uma ferramenta insubstituível na modernização do mundo laboral.

    Há que levar em consideração que a implementação das NTI no mundo do trabalho vai implicar inquestionavelmente outras inovações de carácter organizacional, tanto ao nível do próprio posto de trabalho, como ao nível da organização de todo o processo produtivo e da gestão de recursos humanos.

     

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    Evolução das Novas Tecnologias

    As NTI podem ser agrupadas de diversas formas, de acordo com o sector em que se inserem no sistema produtivo:

    O "símbolo" das NTI é, sem dúvida, o computador. Este é uma máquina electrónica programada para processar informação digital.

    Pode-se dizer, que o computador prolonga o cérebro humano, no que se refere ao raciocínio lógico, e que o completa, pela sua grande velocidade de tratamento da informação, traduzindo-se pela possibilidade de poder realizar milhões de operações por segundo, e pela extraordinária capacidade da sua potente memória, poder armazenar e restituir informação de uma forma rápida e eficaz.

    Vive-se numa sociedade informatizada e em constante evolução tecnológica, com reflexos nos hábitos das pessoas, na sua forma de viver, de trabalhar e de relacionamento com os outros.

    É a era da Informática que exige um contínuo esforço de adaptação à nova realidade. Há que aproveitar as vantagens da informática nas mais variadas esferas da actividade económica e social (no lar, na empresa, na escola, na administração pública, etc.), e utilizá-la no progresso da sociedade e na satisfação das necessidades da população.

    A informática é, então, a ciência do tratamento racional, nomeadamente, através de máquinas automáticas e da informação considerada como suporte de conhecimento e de comunicação, nos domínios técnico, económico e social.

    Resumidamente, define-se informática como sendo um conjunto de técnicas e métodos mediante os quais se trata a informação, com a ajuda dos meios automáticos.

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    Interacções do Homem com as Novas Tecnologias

     

    Não só em situações de lazer, mas principalmente em situação de trabalho, o homem interage com as novas tecnologias.

    São muitas as situações, nas quais o computador, é um meio privilegiado para desenvolver um determinado tipo de trabalho, mas também são inúmeros os riscos, a que o trabalhador está sujeito, por utilizar um computador durante longos períodos de tempo.

    Por este motivo, faz todo o sentido que a Ergonomia tenha criado um campo de intervenção, na área das NTI e que se tenha servido delas para intervir em outras áreas.

    Assim, distinguem-se três fases de evolução até à mais recente aplicação da Ergonomia ao software:

    Fase 1)

    na sua origem, esta disciplina preocupava-se com:

    Estes domínios são os mais conhecidos do grande público e os resultados são ainda correntemente integrados na concepção de equipamento profissional (equipamento e material de escritório, computador, etc.).

    Fase 2)

    de seguida, a Ergonomia interessou-se:

    Esta segunda fase não é, no fundo, mais do que a aplicação particular da investigação aos écrans dos computadores, para um melhor conforto fisiológico.

    A passagem do equipamento para o software, isto é da 1ª para a 2ª fase, carrega, nada mais, do que a semente do fundamento da Ergonomia moderna. Pois esta mudança coloca o problema da qualidade da interacção Homem-Computador, um termo cuja origem remonta somente a duas décadas atrás.

    A imagem da Ergonomia, para os informáticos, está ainda ligada a essa época, mas o problema da apresentação da informação no écran não é mais a questão essencial.

    Fase 3)

    a terceira fase da Ergonomia resulta da experiência adquirida através dos estudos da interacção Homem-Computador, que fizeram surgir dois pontos fundamentais:

    Assim, a melhoria da interacção do "diálogo" entre o Homem e a máquina (o computador) impõe um melhor conhecimento dos processos cognitivos do trabalhador e dos seus modos operatórios aquando na realização do trabalho, ou seja, a sua actividade propriamente dita.

    Entretanto a Ergonomia conserva uma abordagem global e pluridisciplinar, que se debruça no estudo dos mais variados aspectos, relativos à introdução da informática no mundo laboral, tais como:

     

    Uma intervenção ergonómica, seja ela ou não, numa situação de trabalho informatizado, permite evidenciar e considerar as dificuldades ou exigências dos utilizadores.

    As proposições são formuladas e as soluções aplicadas. Os resultados práticos de tal procedimento são a melhoria das condições de trabalho e, simultaneamente, o ganho de qualidade e eficácia, reduzindo os custos do funcionamento.

    A Ergonomia é uma resposta adaptada aos problemas específicos do terreno e não, a aplicação estandardizada de receitas pré-estabelecidas.

    Consequentemente, dizer que determinado utensílio ou processo é ergonómico, não é suficiente. Para avaliar tal qualidade, é necessário avaliar esse utensílio / processo, em função de quem o vai utilizar e com que objectivo.

    É de salientar que adaptar o trabalho ao homem, representa uma outra forma de conceber / corrigir uma determinada situação de trabalho.

    Ao servir-se do conhecimento sobre o funcionamento humano e dos métodos que melhor permitem aprender a realidade das situações de trabalho, a Ergonomia pode contribuir para a evolução dos métodos de análise de todo o processo de informatização.

    As principais componentes a serem analisadas num sistema caracterizado por um processo de informatização ou pelo estudo de determinada situação individual de trabalho informatizado, deve incluir sempre os subsistemas:

     

    O estudo da interacção entre as várias componentes ou subsistemas de uma situação de trabalho, mostra uma abordagem global dos problemas. Assim, cada situação de trabalho representa uma união às múltiplas dimensões de uma empresa.

    Os domínios de aplicação da Ergonomia dividem-se em áreas, nos diferentes contextos do trabalho informatizado.

    Podem-se, então, classificar em quatro, as grandes áreas de aplicação da Ergonomia informática ou Ergonomia do trabalho informatizado, de acordo com o âmbito de estudo específico de cada uma. São elas:

     

    Passemos, de seguida, a caracterizar cada uma destas áreas.

    Está centrada, essencialmente, nos equipamentos que constituem o posto de trabalho informatizado e áreas que lhe são adjacentes, nomeadamente, ao nível:

    Foi, e ainda é, a este nível que se situam os estudos mais vastos e em maior número, assim como, a maioria dos pedidos de intervenção ergonómica, dado que é também a este nível que surgem as queixas mais facilmente perceptíveis.

     

    Esta área da Ergonomia centra-se ao nível da construção de novos programas e da manutenção informática, no que diz respeito às linguagens de programação e à sua inteligibilidade, ou seja, propõe a facilitação da escrita e da leitura de programas, conduzindo a uma utilização posterior, igualmente facilitada.

     

    Está centrada no processo de informatização de serviços, cujo objectivo principal consiste, não apenas em informatizar mas, em distinguir o que deve efectivamente ser informatizado, visando uma melhor eficácia das futuras instalações. Tenta salvaguardar, na medida do possível, todos os aspectos positivos dos hábitos dos trabalhadores que estes desejem conservar.

    Está centrada nos utilizadores dos sistemas informáticos e na adequação do software às necessidades das tarefas e simultaneamente, às capacidades do utilizador. Os problemas são inúmeros e crescentes, dada a especificidade das tarefas. Estes colocam-se, essencialmente, a dois níveis:

     

    A linguagem de software tem por objectivo, facilitar os processos cognitivos de percepção e tratamento de informação por meio de um diálogo mais intuitivo, entre o Homem e o computador.

    O diálogo entre o Homem e o computador, tem o objectivo de mascarar o funcionamento técnico do software para libertar o trabalhador dos problemas ligados à manipulação do utensílio.

    O seu papel é de facilitar a comunicação entre os dois sistemas que assentam em modelos diferentes:

    Estes dois mundos são estranhos um ao outro e o interface deve servir de interprete para facilitar as trocas de informação entre dois sistemas.

    Do ponto de vista ergonómico, a vocação principal do diálogo é, portanto, a adaptação a todos os casos, para tornar simples o manuseamento do utensílio informático.

    Muitos conceptores de sistemas de software, acabam por perceber que o sistema que estão a criar é algo mais do que apenas o software, e que o âmbito e o objectivo do sistema é mais vasto do que a funcionalidade proporcionada pelo software.

    Esta é, apenas, uma componente de um amplo sistema e fornece uma parte da funcionalidade pretendida. Este amplo sistema inclui, pelo menos, outros utilizadores e outros sistemas de software.

     

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